
Cerejeiras em flor: a primavera no Japão e na Coreia do Sul
As cerejeiras em flor anunciam a chegada da primavera com um espetáculo de cor e leveza que atravessa fronteiras. Durante poucas semanas, o Japão e a Coreia do Sul se transformam: ruas, templos e parques ganham tons de rosa e branco, e o ar se enche de um silêncio alegre.
Mais do que um fenômeno natural, o florescer da cerejeira é um gesto de união entre natureza e cultura. No Japão, o hanami convida à contemplação tranquila. Na Coreia, os festivais transformam a floração em celebração. Em ambos os países, a cena é a mesma: pessoas reunidas sob as árvores, observando o tempo passar enquanto pétalas dançam no vento.
No roteiro Japão & Coreia do Sul, da Paralelo 30, o viajante acompanha esse momento único de transformação. É o encontro entre tradição e renovação, entre o silêncio das montanhas e a energia das cidades — um convite para viver a estação mais bonita do Oriente em seu ritmo mais delicado.
Quando ver as cerejeiras em flor
As cerejeiras em flor marcam o início da primavera no Japão e na Coreia do Sul. O florescer acontece entre o fim de março e o começo de abril, mas o ritmo muda conforme o clima e a região. O espetáculo é breve (dura de sete a dez dias) e por isso se torna ainda mais precioso.
No Japão, a florada começa pela ilha de Kyushu, em cidades como Fukuoka, e segue para o norte, passando por Hiroshima, Osaka, Kyoto e Tóquio, até chegar a Hokkaido em meados de abril. As temperaturas mais baixas prolongam a floração, criando uma sequência natural de paisagens rosadas por todo o país.
Na Coreia do Sul, o florescer segue um padrão parecido. As primeiras flores aparecem na ilha de Jeju, ainda em março, e logo se espalham para Busan, Jinhae e Seul. O ponto alto é o Jinhae Gunhangje Festival, uma celebração que reúne milhões de pessoas sob túneis de flores e música ao ar livre.
Cada pétala lembra a passagem do tempo e o início de um novo ciclo. Ver as cerejeiras em flor é acompanhar dois países que celebram a vida com delicadeza, unindo contemplação e festa sob o mesmo céu de primavera..
A história do sakura e o significado do hanami
A história das cerejeiras em flor no Japão reflete a relação profunda do país com o tempo, a natureza e a memória. Segundo a Japan House, o costume de admirar as flores começou há mais de 1.200 anos, no Período Nara (710–794), quando as cerejeiras eram cultivadas nos jardins imperiais e associadas à fertilidade das colheitas.
No Período Heian (794–1185), o florescer do sakura tornou-se um evento de contemplação entre a nobreza de Kyoto. Poetas e artistas reuniam-se sob as árvores para celebrar a chegada da primavera e compor versos sobre a beleza efêmera das flores. Com o tempo, o hanami se popularizou em todo o país, especialmente no Período Edo (1603–1868), tornando-se um costume nacional.
De acordo com o El País, o livro “Sakura: The Story of the Cherry Blossom”, da jornalista Naoko Abe, revela que as cerejeiras também viveram momentos de perda e reconstrução. Durante a Segunda Guerra Mundial, espécies de flores brancas, típicas de Kyoto e de outras cidades do centro do Japão, foram severamente atingidas pelos bombardeios e quase desapareceram. O país viu grande parte de suas árvores originais destruídas, restando apenas poucos exemplares preservados por jardineiros locais.
Décadas depois, um jardineiro japonês liderou o resgate e o replantio das espécies antigas, devolvendo ao Japão a diversidade, recuperando seu valor como símbolo de paz e renascimento. Nesse período, variedades rosadas, como a Somei Yoshino, passaram a dominar os parques urbanos, tornando-se o rosto moderno da primavera japonesa.
O hanami, que significa “contemplar as flores”, expressa o conceito de mono no aware: a consciência da impermanência e da beleza do instante. Ver as pétalas caindo suavemente ao vento é lembrar que tudo é transitório e, justamente por isso, precioso.

As cerejeiras na Coreia do Sul e o legado da King Cherry
Na Coreia do Sul, as cerejeiras em flor também fazem parte da cultura e da paisagem da primavera. O país celebra a estação com festivais que unem música, gastronomia e vida ao ar livre, transformando ruas e parques em um grande cenário de flores.
Segundo a revista 10 Magazine, muitas espécies cultivadas na península têm origem local. A mais conhecida é a King Cherry, nativa da ilha de Jeju, famosa por suas flores grandes e de cor rosada intensa. Essa espécie inspirou, durante décadas, a hipótese de que as cerejeiras japonesas pudessem ter descendido dela.
Estudos genéticos recentes mostram que a King Cherry e a Somei Yoshino, predominante no Japão, são espécies diferentes, embora compartilhem ancestrais comuns. A discussão sobre a origem exata das cerejeiras continua aberta, refletindo também o valor simbólico que o florescer tem para as duas culturas.
Hoje, festivais como o Jinhae Gunhangje, em Busan, e as celebrações nas margens do rio Han, em Seul, mantêm viva essa herança. Na Coreia, as cerejeiras em flor são um símbolo de orgulho e renovação e um lembrete de que a beleza da primavera pode unir histórias e fronteiras.
Como Japão e Coreia celebram as cerejeiras em flor
O florescer das cerejeiras em flor é um dos momentos mais esperados do ano na Ásia. Em ambos os países, a chegada da primavera é motivo de celebração, reunião e contemplação.
No Japão, o hanami é um ritual de silêncio e beleza. Famílias e amigos se reúnem sob as árvores para observar as pétalas que caem. Parques e templos se tornam espaços de pausa, onde o tempo parece desacelerar. À noite, o yozakura ilumina as flores, e cidades como Kyoto, Tóquio e Osaka ganham tons dourados e rosados sob luzes suaves.
Na Coreia do Sul, o clima é mais festivo. Ruas e avenidas se enchem de música, feiras e comida de rua. O Jinhae Gunhangje Festival é o maior do país e reúne milhões de pessoas. À beira do rio Han, em Seul, as flores se refletem na água, enquanto artistas e famílias celebram juntas o início da estação.
Em cada país, o significado é o mesmo: renovar o olhar e celebrar a passagem do tempo. O Japão traduz o instante em contemplação; a Coreia, em festa. Nas duas culturas, as cerejeiras em flor lembram que a beleza é breve e que a vida, como a primavera, sempre recomeça.
Onde ver as cerejeiras em flor no Japão
Cada cidade revela um cenário único, onde cultura e natureza se encontram em perfeita harmonia:
👉🏼 Tóquio
Na capital, o florescer das cerejeiras transforma a metrópole em um jardim vivo. No Parque Ueno, milhares de árvores formam alamedas que reúnem moradores e visitantes em piqueniques. Às margens do Rio Meguro, as flores refletem nas águas e ganham iluminação à noite.
👉🏼 Kyoto
Símbolo da tradição japonesa, Kyoto é o coração do hanami. No Parque Maruyama, cerejeiras antigas moldam o cenário dos templos e das casas de chá. Já em Kiyomizu-dera, as flores emolduram os telhados de madeira e se misturam ao som dos sinos. As árvores refletem sobre os lagos e parecem suspensas no ar, no Daigo-ji.
👉🏼 Osaka
Vibrante e acolhedora, Osaka ganha tons suaves na primavera. O Castelo de Osaka, cercado por um fosso e jardins, torna-se o ponto mais fotografado da cidade. As muralhas antigas, cobertas por flores rosadas, contrastam com os arranha-céus ao fundo. O Parque Kema Sakuranomiya, às margens do rio Okawa, completa o cenário com centenas de cerejeiras que desenham um corredor de cor e luz.
👉🏼 Hiroshima e Himeji
Em Hiroshima, o Parque Memorial da Paz floresce como um símbolo de esperança. Entre as árvores, o reflexo das pétalas no rio Motoyasu lembra o ciclo de renascimento da cidade. Já em Himeji, o castelo branco, patrimônio mundial da Unesco, se ergue entre nuvens de sakuras.
👉🏼 Kobe e Fukuoka
Em Kobe, as cerejeiras florescem entre o mar e as montanhas, transformando o porto em cenário de tranquilidade. Em Fukuoka, o Parque Maizuru é o ponto central das celebrações. As ruínas do antigo castelo cercadas por árvores criam um ambiente festivo e acolhedor, onde o Japão moderno se encontra com suas tradições mais antigas.
Cidades da Coreia do Sul no caminho das cerejeiras
Na Coreia do Sul, a primavera transforma o país em um cenário de cor e movimento. As cerejeiras em flor marcam o início de uma nova estação e mudam o ritmo das cidades.
👉🏼 Seul
A capital coreana equilibra tradição e modernidade em cada esquina. Quando as cerejeiras florescem, o Yeouido Park, às margens do rio Han, se cobre de pétalas. Moradores e visitantes caminham entre as árvores, fazem piqueniques e observam o reflexo das flores na água. À noite, o parque se ilumina, e o brilho suave das lanternas destaca ainda mais o tom delicado das pétalas.
👉🏼 Busan
À beira do mar, Busan é uma das cidades mais encantadoras para ver as cerejeiras em flor. Os corredores formados por árvores no Oncheon Stream Park e no bairro Namcheon-dong criam uma atmosfera de tranquilidade. Nos arredores, o Templo Beomeosa, cercado por montanhas, ganha um contorno rosado que mistura espiritualidade e natureza.
Outros lugares, como Jinhae e a ilha de Jeju, também são conhecidos pelas floradas intensas. O Jinhae Gunhangje Festival é o mais famoso da Coreia e celebra a chegada da primavera com música, arte e gastronomia.
Por que viajar para ver as cerejeiras em flor
Viajar na época das cerejeiras em flor é acompanhar o instante em que o Japão e a Coreia do Sul mudam de cor. Em poucos dias, o rosa toma conta das cidades e o ar ganha perfume de renovação. É um tempo de pausa, de olhar para o alto e se deixar tocar pela beleza que passa.
No Japão, a tradição do hanami inspira silêncio e contemplação. O poeta Matsuo Bashō escreveu:
“Entre as flores, o que mais amo
é a flor da cerejeira.”
Na Coreia, o florescer é vivido como festa. Parques e avenidas se enchem de música, luz e gente reunida. O mesmo instante que no Japão convida à reflexão, na Coreia se transforma em alegria compartilhada.
Em ambos os países, as cerejeiras lembram que a beleza é breve e, justamente por isso, inesquecível. Como disse o poeta Kobayashi Issa:
“Diante das cerejeiras em flor,
até o coração de pedra
se desfaz em lágrimas.”
Ver as cerejeiras em flor é entender o equilíbrio entre o que floresce e o que passa. É viver a primavera com todos os sentidos e levar para sempre a lembrança de um tempo em que a natureza parece respirar junto com quem a contempla.
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