
Castelo de Bran: entre a história e o mito de Drácula
O Castelo de Bran se ergue sobre uma colina rochosa na Transilvânia como uma imagem quase arquetípica do imaginário europeu. Envolto por florestas densas e frequentemente coberto por névoa, o castelo ganhou fama mundial como o suposto lar do conde Drácula. Mas a história real por trás de suas muralhas é mais complexa, sofisticada e reveladora do que o mito sugere.
Segundo o site oficial do Castelo de Bran, a fortaleza foi construída no século 14 com função estratégica, controlando uma importante rota comercial entre a Transilvânia e a Valáquia. Ao longo dos séculos, o castelo desempenhou papéis diversos: posto militar, alfândega, residência nobre e, mais tarde, refúgio da realeza romena.
A associação com Drácula nasceu da literatura, não da história. O personagem criado por Bram Stoker é fictício, embora inspirado em figuras reais e paisagens da região. O Castelo de Bran, por sua localização e aparência, acabou se tornando o símbolo físico dessa narrativa, ainda que sua importância histórica esteja ligada sobretudo à defesa territorial e ao período em que foi transformado em residência real.
O Castelo de Bran se insere em um percurso que atravessa a Romênia histórica, conectando fortalezas medievais, cidades antigas e paisagens dos Cárpatos. No roteiro Bulgária e Romênia da Paralelo 30, a visita ao castelo faz parte de uma leitura mais ampla do Leste Europeu, marcada por camadas culturais, memória e território.
Drácula, Bram Stoker e o Castelo de Bran
A ligação entre o Castelo de Bran e o conde Drácula é um dos casos mais emblemáticos de como a literatura molda o imaginário coletivo. Apesar da associação quase automática feita por visitantes do mundo inteiro, não há registros históricos que comprovem que o castelo tenha sido residência de Drácula, personagem criado pelo escritor irlandês Bram Stoker no final do século 19.
Segundo pesquisas históricas reunidas por órgãos oficiais de turismo da Romênia, Bram Stoker nunca visitou o país. A descrição do castelo em seu romance foi construída a partir de relatos, mapas e gravuras disponíveis na época, muitos deles representando fortalezas da Transilvânia. O Castelo de Bran, com sua silhueta recortada, torres e localização estratégica, acabou se encaixando perfeitamente na imagem literária do lar do vampiro.

Associação histórica
A figura histórica frequentemente associada a Drácula é Vlad Țepeș, também conhecido como Vlad, o Empalador. Governante da Valáquia no século 15, Vlad ficou conhecido por seus métodos de punição extremamente violentos, utilizados como forma de intimidação política e militar. Conforme registros históricos, sua relação com o Castelo de Bran foi, no máximo, circunstancial. Há indícios de que ele tenha passado brevemente pela região ou sido mantido prisioneiro por curto período, mas nunca residiu ali.
A associação direta entre Vlad Țepeș e o Castelo de Bran é mais simbólica do que factual. O castelo representa a Transilvânia medieval no imaginário popular, enquanto Vlad encarna a figura histórica que inspirou o mito literário. A fusão dessas duas narrativas consolidou o local como um dos destinos mais reconhecidos da Europa Oriental.
Esse contraste entre ficção e história é justamente o que torna o Castelo de Bran tão interessante. Longe de ser apenas um cenário de terror, ele revela como mitos são construídos, apropriados e ressignificados ao longo do tempo, muitas vezes eclipsando histórias reais igualmente fascinantes.
O Castelo de Bran como residência real
A fase mais decisiva do Castelo de Bran não está ligada às lendas medievais, mas ao século 20, quando a fortaleza passou a integrar oficialmente o patrimônio da monarquia romena. Foi nesse período que o castelo deixou de ser apenas um monumento defensivo para se tornar um espaço habitado, vivido e reinterpretado.
Segundo registros históricos do próprio castelo, em 1920 o governo da Romênia presenteou a fortaleza à Rainha Maria da Romênia, como reconhecimento por seu papel diplomático e político após a Primeira Guerra Mundial. Neta da rainha Vitória do Reino Unido, Maria trouxe para Bran uma visão cosmopolita, sensível e profundamente ligada à ideia de lar.
De acordo com os arquivos oficiais do museu, a rainha conduziu uma ampla reconfiguração dos interiores, preservando a estrutura medieval, mas adaptando os espaços para uso residencial. Salas foram iluminadas, quartos decorados com móveis artesanais, tapeçarias e objetos de arte colecionados ao longo de sua vida. O castelo passou a funcionar como residência de verão e refúgio pessoal, distante da rigidez protocolar de Bucareste.
Relação simbólica
Conforme historiadores da monarquia romena, a relação de Maria com Bran era também simbólica. Ela via o castelo como um ponto de ligação entre passado e identidade nacional, especialmente em um momento em que a Romênia buscava consolidar sua unidade territorial e cultural. Essa leitura ajudou a redefinir o significado do monumento para além da função militar.
Um dos episódios mais emblemáticos desse vínculo está ligado ao destino do coração da rainha. Por desejo expresso em testamento, ele foi preservado separadamente de seu corpo e mantido inicialmente em uma capela próxima ao castelo, reforçando a carga afetiva e quase espiritual de sua ligação com Bran.
Essa transformação conduzida pela Rainha Maria explica por que o Castelo de Bran possui hoje uma atmosfera que mistura austeridade medieval e intimidade doméstica. É essa camada histórica, muitas vezes ofuscada pelo mito de Drácula, que revela o castelo como um espaço de memória, poder e sensibilidade.
Saiba mais sobre o Castelo de Bran
O Castelo de Bran é realmente o castelo do Drácula?
Não no sentido histórico. O castelo ficou conhecido mundialmente como “Castelo do Drácula” por associação literária com o romance de Bram Stoker. Segundo historiadores e o site oficial do Castelo de Bran, não há registros de que o personagem fictício tenha sido inspirado diretamente no castelo, nem de que Vlad Țepeș tenha vivido ali.
Qual é a relação de Vlad, o Empalador, com o Castelo de Bran?
De acordo com fontes históricas romenas, Vlad Țepeș teve uma relação pontual e indireta com o castelo. Há indícios de que ele possa ter passado pela região ou sido mantido prisioneiro por curto período, mas nunca foi proprietário nem residente do local.
Quem realmente morou no Castelo de Bran?
Conforme registros do museu, a ocupante mais emblemática foi a Rainha Maria da Romênia, que recebeu o castelo em 1920. Ela transformou a antiga fortaleza medieval em residência real de verão, deixando um legado cultural e afetivo que ainda marca os interiores do edifício.
Onde fica o Castelo de Bran?
O castelo está localizado na Transilvânia, próximo à cidade de Brașov, em uma região montanhosa dos Cárpatos. A posição estratégica explica sua importância histórica como ponto de defesa e controle comercial entre regiões.
O que é possível visitar hoje no Castelo de Bran?
Segundo a administração do monumento, o visitante pode percorrer salas históricas, exposições permanentes, áreas residenciais da época da Rainha Maria, além do Museu Etnográfico ao Ar Livre e do chamado “Túnel do Tempo”, uma experiência multimídia que contextualiza a história do castelo.
Vale a pena visitar o Castelo de Bran mesmo sem interesse em Drácula?
Sim. De acordo com especialistas em patrimônio cultural da Romênia, o castelo vai muito além da lenda. Sua arquitetura medieval, o contexto histórico da Transilvânia e o papel da monarquia romena fazem do local uma visita relevante mesmo para quem não se interessa pelo mito do vampiro.
Quanto tempo reservar para a visita?
Em média, recomenda-se entre uma hora e meia e duas horas para visitar o castelo e o complexo ao redor, conforme orientações do site oficial. O tempo pode variar conforme o fluxo de visitantes e o interesse nas exposições.
Ao unir a Romênia e a Bulgária em um mesmo percurso, o roteiro da Paralelo 30 propõe uma imersão no Leste Europeu que vai além dos marcos mais conhecidos. É uma viagem pensada para quem valoriza contexto histórico, paisagens culturais e a experiência de percorrer territórios que guardam camadas profundas da história europeia.

