Gastronomia asiática: sabores do Japão e da Coreia do Sul

Gastronomia asiática: sabores do Japão e da Coreia do Sul

21 de outubro de 2025
Roteiros

A gastronomia asiática revela muito mais do que receitas: expressa filosofia, história e identidade. Em países como Japão e Coreia do Sul, o alimento é símbolo de equilíbrio e respeito à natureza. Cada prato nasce de gestos precisos e de tradições que transformam o ato de comer em uma forma de contemplação.

No Japão, a mesa reflete a busca pela harmonia entre as estações, os sabores e o visual do prato. Na Coreia do Sul, a comida é um elo entre corpo e mente, unindo sabor e função medicinal. Em comum, os dois países compartilham a ideia de que alimentar-se bem é viver em equilíbrio. Um princípio que orienta grande parte da gastronomia asiática.

No roteiro da Paralelo 30 Turismo, essa experiência se traduz em encontros com culturas que celebram o tempo e o sabor. Das casas de chá de Kyoto às cozinhas de Seul, a viagem conecta templos, mercados e mesas que contam histórias.

As raízes da gastronomia asiática

A gastronomia asiática é o resultado de séculos de intercâmbio entre filosofia, religião e natureza. No Japão, o conceito de washoku sintetiza essa herança. Segundo o Consulado-Geral do Japão em São Paulo, o termo significa “comida japonesa” e reflete o respeito pelos ingredientes, pela sazonalidade e pela harmonia entre as cores e os sabores. O washoku nasceu da convivência entre o budismo e a agricultura, priorizando o arroz, os vegetais e o peixe como base alimentar. Essa simplicidade se transformou em estética, consolidando a culinária japonesa como uma forma de arte cotidiana.

Na Coreia do Sul, o alimento também é expressão de equilíbrio, mas com foco na relação entre saúde e sabor. O estudo de Oktay & Ekinci (2019), publicado no Journal of Ethnic Foods, descreve o princípio de Yak Sik Dong Won, que ensina que a comida e a medicina têm a mesma origem. Essa visão, enraizada na filosofia confucionista e na medicina oriental, orienta o uso de ingredientes fermentados, chás e ervas que fortalecem o corpo e a mente.

Em ambos os países, a formação cultural da mesa foi moldada pelo ambiente e pelas estações. O Japão, com seu arquipélago isolado e clima variável, desenvolveu uma culinária baseada na preservação e no frescor. A Coreia, exposta a invernos rigorosos, recorreu à fermentação e ao uso de condimentos para conservar os alimentos. Essa adaptação natural criou identidades distintas dentro da gastronomia asiática, unidas por um mesmo princípio: a busca pelo equilíbrio entre o homem e o meio em que vive.

Gastronomia asiática: sabores do Japão e da Coreia do Sul

O simbolismo do alimento e a espiritualidade à mesa

Na gastronomia asiática, o alimento ocupa um lugar central na relação entre o homem, a natureza e o divino. No Japão, essa visão se manifesta no gesto de dizer itadakimasu antes das refeições, como forma de gratidão a quem preparou a comida e aos seres que se tornaram alimento.

Esse simples ato traduz a noção de respeito e reconhecimento da interdependência entre todos os elementos da vida. Comer, portanto, é também um exercício espiritual.

Nos mosteiros japoneses, a alimentação segue os princípios do shōjin ryōri, uma culinária vegetariana criada por monges budistas. O preparo busca o equilíbrio entre as cinco cores e os cinco sabores, sem excesso e sem desperdício. Cada prato é servido em silêncio, valorizando o gesto e a consciência plena do momento. Essa prática reflete a ideia de que o alimento é um meio de purificação e de conexão com o presente.

Na Coreia do Sul, a dimensão espiritual se expressa por meio da partilha. O ato de dividir o alimento com familiares e convidados representa harmonia e pertencimento. O estudo de Oktay & Ekinci (2019) destaca que, na tradição coreana, a mesa é um espaço simbólico de convivência e cuidado, onde o equilíbrio entre calor e frescor, cores e texturas é entendido como reflexo da própria vida.

Em ambas as culturas, a espiritualidade à mesa ultrapassa o ritual religioso. Ela molda comportamentos, define prioridades e reforça a importância da convivência. A gastronomia asiática transforma o cotidiano em contemplação e faz do alimento uma ponte entre o sagrado e o humano.

Os pilares da gastronomia asiática

O que une as cozinhas do Japão e da Coreia do Sul vai além dos ingredientes. São princípios que tratam o alimento como expressão de equilíbrio e de identidade cultural. Em toda a gastronomia asiática, a mesa é o espaço onde natureza, estética e saúde se encontram.

No Japão, o equilíbrio começa no preparo. Segundo o Consulado-Geral do Japão em São Paulo, o washoku valoriza o frescor, a precisão dos cortes e o silêncio de quem cozinha. O alimento é tratado como algo vivo, e preservar sua cor e textura é sinal de respeito. A estética do prato é parte essencial da refeição: o olhar alimenta tanto quanto o paladar.

Na Coreia do Sul, o cuidado se revela no processo de transformação. O princípio de Yak Sik Dong Won, descrito por Oktay & Ekinci (2019), mostra que cozinhar é um ato de cura. O tempo da fermentação, presente em preparos como o kimchi, simboliza paciência e confiança no ciclo natural. A mesa coreana, sempre colorida e coletiva, reflete a importância da convivência e da saúde compartilhada.

Essas práticas mostram que a gastronomia asiática é, antes de tudo, uma cultura de atenção. Comer é participar do ritmo da natureza e compreender que o alimento também ensina.

A influência global da gastronomia asiática

A expansão da gastronomia asiática transformou o modo como o mundo entende o alimento. A técnica precisa, o respeito à natureza e o uso consciente dos ingredientes ultrapassaram fronteiras e se tornaram referência em escolas de culinária, restaurantes e hábitos alimentares.

No Japão, a simplicidade e o rigor estético influenciaram a cozinha contemporânea em todo o mundo. O sushi, antes restrito a mercados locais, ganhou variações regionais e se tornou um dos pratos mais reconhecidos do planeta. O mesmo ocorre com o uso do umami, o chamado quinto sabor, incorporado hoje em diferentes tradições culinárias.

Na Coreia do Sul, a valorização da fermentação e do equilíbrio entre os alimentos impulsionou o interesse global por produtos naturais e probióticos. O kimchi passou de um símbolo doméstico a presença constante em restaurantes internacionais, enquanto pratos como bibimbap e bulgogi expressam a versatilidade da culinária coreana sem perder sua identidade.

A influência da gastronomia asiática vai além da mesa. Ela molda o design, o ritmo das refeições e o olhar sobre a comida como experiência cultural. Mais do que tendência, tornou-se linguagem universal de cuidado e consciência.

O que provar na viagem ao Japão e à Coreia do Sul

A gastronomia asiática ganha vida nas mesas e mercados visitados durante o roteiro da Paralelo 30 Turismo. A experiência combina tradição, cor e sabor, revelando o que cada cultura tem de mais autêntico.

Japão

No Japão, o visitante descobre a elegância do kaiseki ryori, refeição composta por pequenas porções que seguem as estações do ano. Cada prato é pensado para equilibrar sabor, textura e visual, refletindo o conceito de washoku.
Em Kyoto, as casas de chá preservam a tradição do matcha, preparado com gestos precisos e servido com doces delicados.
Nas ruas de Osaka, o ambiente é mais descontraído. As bancas de okonomiyaki (panqueca japonesa) e takoyaki (bolinho de polvo) mostram o lado criativo e popular da culinária local.
Em Tóquio, o sushi preparado diante do cliente, o ramen fumegante e o tempurá leve e crocante traduzem a atenção ao detalhe que define a cozinha japonesa.

Coreia do Sul

Na Coreia do Sul, o sabor é guiado pela intensidade e pela partilha. O bibimbap, mistura de arroz, legumes e pasta de pimenta, simboliza o equilíbrio entre cores e nutrientes. O kimchi, fermentado artesanalmente, está presente em todas as mesas e representa o elo entre saúde e convivência familiar.
O bulgogi, carne marinada em molho de soja e alho, combina textura macia e notas adocicadas, enquanto a sopa de doenjang, feita com pasta de soja fermentada, expressa o lado mais tradicional da culinária caseira.
Em Seul, os mercados de rua completam a experiência com aromas de tteokbokki (bolinhos de arroz apimentados) e chás servidos em casas antigas, onde o tempo parece desacelerar.

Viajar por Japão e Coreia do Sul é conhecer o sabor da cultura. Cada prato conta uma história e reforça o papel do alimento como parte essencial da identidade asiática.

👉🏼 Descubra com roteiro da Paralelo 30 Turismo  a experiência completa pela gastronomia asiática. Conheça os templos, mercados e sabores do Japão e da Coreia do Sul, em um roteiro que une tradição, cultura e o prazer de comer bem.

Gastronomia asiática: sabores do Japão e da Coreia do Sul